Posted by : Johnny Ribeiro 22 julho, 2014


Ontem fomos ao teatro. Pensei que veria e ouviria outras coisas mais sobre um tema tão interessante que é Amor. Não que tenha sido ruim a peça, pelo contrário, foi muito boa. Mas a despeito de amor e suas influências, tenho também minhas palavras a dizer. E como não sou um crítico de teatro, não falarei diretamente sobre ele, mas sim sobre o tema em si.
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Em uma pequena discussão em que me senti necessário adentrar, falávamos sobre as influências de outros autores em nossas decisões do cotidiano, bem como a formação de nosso próprio intelecto e quem seríamos então, se pensamos e agimos conforme palavras e ideais há muito tempo já escritas.
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No mundo, como um todo, existe uma teia gigantesca, que cobre toda a extensão do planeta, e cada ramificação representa um ideal, uma crença, uma lei entre outros conjuntos de ideologias e regras. Nós, somos impossibilitados de poder absorver toda essa teia, a vida seria impossível caso conseguíssemos. Portanto, durante toda nossa existência, passamos a escolher alguns elementos desta imensa teia, e a utilizamos no nosso dia a dia, na nossa escrita, nos nossos pensamentos e na expressão de nossos sentimentos. Mas, e o que isso significa então? Significa que realmente, nós não somos imparciais, pois cada ponto desta teia, foi tecida por várias pessoas, sendo filósofos, poetas, visionários, políticos, pastores, monges e afins. E a cada momento em que absorvemos uma de suas ideias parece que nos aproximamos de quem as criou. Porém, o que isso importaria? Utilizarei alguns exemplos para demonstrar minha descrença na idolatria que por vezes tentam nos impor por apenas pensarmos da mesma maneira que outros autores passados.
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Hermann Hesse, escritor alemão descreve seu compatriota Goethe em um de seus textos:
“(...) Estava para Goethe o amor a humanidade. Ele foi um cidadão e patriota do mundo internacional do pensamento, da liberdade interior, da consciência intelectual, e nos seus melhores momentos de reflexão ascendia tão alto que o destino dos povos não lhe aparecia mais nos seus detalhes, mas como movimentos submetidos a um todo”
Goethe foi um poeta apaixonado por tudo e todos. Não era um cidadão perfeito, e se estudarmos sobre sua vida e obra, veremos pontos positivos e alguns negativos sobre sua trajetória. Contudo, jamais desmereceríamos um elemento tão importante e que ainda vive no coração daqueles que acreditam em Amor. Com esta pequena descrição de Hesse, podemos imaginar algumas das ramificações criadas por Goethe, e que foram absorvidas pelo autor que o descreve, e que também teceu sua parte na eterna teia de ideias que hoje temos pairando sobre nós. Porém, Hermann Hesse foi um pouco mais profundo nos autores alemães, e se prontificou a também registrar, seu ponto de vista sobre um icônico personagem que muitos parecem perseguir como se fosse um super-homem ou algum outro herói qualquer:
“Zaratustra é o ser humano, é o eu e o tu, é o homem que procuram em si mesmos, o sincero, o que não se deixa seduzir”
Das teias tecidas por Nietzsche, Hesse nos apontou uma delas, que é a de Zaratustra, e que talvez seja o melhor exemplo para enfim delimitar meu pensamento. Muitos se inspiram no personagem de Nietzsche e parecem tentar ser como ele, e acabam por não perceber, que essa nunca foi a intenção do autor. E não me prolongarei nesse trecho, por considerar que a pequena citação do texto “O retorno de Zaratustra” de Hesse, traduza perfeitamente o que gostaria de dizer até o presente momento.
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Mas daí, voltemos ao amor. Sabendo então que nossas vidas são formadas por um conjunto de ideias que nós mesmos decidimos quais, quando e onde as utilizar, e que apesar do fato delas terem sido criadas por alguém que admiramos, isso ainda continua sendo extremamente subjetivo. Você pode tratar sobre Amor como Goethe tratava, e ainda continuará sendo você mesmo. Goethe morreu em 1832, o que resta são suas obras, e ao lermos elas, continuamos sendo nós mesmos, pois repito: Goethe está morto!
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Quando ouvimos sobre amor, por mais que sejam belas as histórias narradas pelos poetas e as peças de teatro que nos emocionam, quando saímos para a realidade, para o lado exterior, vemos que tudo aquilo ainda é obsoleto. Não podemos tratar nossas vidas como poesias escritas a alguns séculos atrás, nem tampouco baseado nos modelos contemporâneos de relacionamentos. O que parece-me ser real e cabível é vivermos o presente. O presente onde escolhemos e criamos nossa própria teia ideológica, mas que não permite que mudemos a pessoa que somos. E ao tomar consciência disso, paramos com todas as comparações possíveis. Deixamos para trás o passado, as ramificações que outrora nos apegamos, e olhamos para frente, utilizando o que de bom permanece, e deixando para trás tudo aquilo que não nos serviu em outros momentos.
Se você pensa amar alguém, não pode compará-lo a seu ex amante. Não pode compará-lo com o galã da novela das 8 (e que começa às 9). Se você ama alguém, você tem que o ver como um ser único, tal como realmente é, e deixar que o futuro aconteça sem que as chagas do passado interfiram no decorrer da união criada. Quando se entra em um novo relacionamento, baseando-se em experiências anteriores, como se já estivesse esperando o jovem cometer um erro que outrora já foi seu motivo de sofrimento, então talvez o relacionamento já esteja acabado, e que indo mais além, talvez nem sequer exista de fato um amor pelo indivíduo. Seria possível dizer que existe apenas uma sombra do passado que você gostaria de rever e transformar naquilo que nunca pode ser. Condenando o presente a jamais se desenvolver como algo novo, mas sim como uma eterna repetição daquilo que você nunca pode alcançar. Prendendo a sua própria existência em um loop eterno, da qual nunca se sairá sem outra nova cicatriz.
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Por que será temos tanta dificuldade em esquecer o passado, cessar as comparações e de viver algo plenamente novo? Será que nossas leituras servem para formar nosso intelecto, ou para interferir nas nossas atitudes?
Se um dos objetivos da filosofia é justamente a expressão racional de nossos sentimentos, por qual motivo a utilizaríamos como forma de comparação a algo que ainda estamos vivendo, e que pertence ao futuro? É preciso que sejamos nós mesmos. Carregamos todas as ideias que absorvemos desta enorme teia, mas temos que ser fiéis a nossa existência. Admiro os poetas, admiro aqueles que buscaram a paz mundial, a paz espiritual, aqueles que não desistiram de seus amores. Muitos nomes serão lembrados nos livros, nas escolas e academias, porém, o que isso me importa, se eu, um morador do interior sul mineiro, que sou apenas mais um estudante, me sinto apaixonado pela linda garota que outrora me concedeu um beijo, e que me elevou aos céus, me fazendo abrir os olhos para as estrelas que brilham no infinito universo a qual pertencemos e me fez sentir tal como sou, um simples ser em busca da felicidade, e que encontrou amor em seus abraços? E se essa garota nunca escreveu um livro, tal como eu. E se ela já viveu o mesmo tempo que minha pessoa, e igualmente sofreu por amor, e igualmente sorriu por felicidade? O que importa me o passado se hoje, em meus braços ela estará novamente?
Pois no fim das contas, talvez apenas isso me importe: Te abraçar novamente e sentir o suave toque de seus lábios junto dos meus. 
E se me permite, finalizarei este texto,  parafraseando o grande Goethe, eterno recriador de amor: 
"...Então, voarei ao seu encontro, enlaçando-a, e ficaremos em face do eterno, unidos por um beijo sem fim..."
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